P r o c e s s o C o m e r c i a l E s t r u t u r a d o
O que acontece nas primeiras 72 horas de quem decide estruturar o processo comercial
O que realmente acontece depois que uma empresa decide estruturar seu processo comercial. Um relato direto das primeiras 72 horas: do onboarding à construção de uma base de 300 empresas, passando pela organização do território, definição de ICP e início da prospecção ativa. Sem teoria. Sem marketing. Só processo.
GESTÃO DE VENDASPROCESSO COMERCIAL
Demetrius P Borges
3/19/20266 min read


A negociação já aconteceu. O aceite veio.
Nada fora do comum para quem já está acostumado a vender obras, projetos e serviços técnicos e, em seguida, partir para a execução. Aqui, porém, a entrega começa antes da obra. Ela começa na organização de quem não quer mais depender do acaso para saber de onde virá o próximo contrato.
(Ao final do artigo, não perca as 5 perguntas e respostas mais frequentes)
Quem já contratou tráfego pago conhece o roteiro.
Você paga o pedágio para Google ou Meta, recebe uma sequência de contatos e torce para que, no meio deles, apareça alguém com potencial real de contratação.
Na maior parte do tempo, não aparece. Vêm curiosos, pedidos de orçamento solto, gente fora do perfil, muita conversa e pouca direção. É um jogo em que raramente surge o que realmente importa: um decisor de empresa grande, estruturada e com demanda concreta.
O que muda nas primeiras 72 horas
Nas primeiras 72 horas de quem contrata o Método MEMTa®, a lógica é outra. Em vez de sair para caçar no escuro, nós começamos minerando o que a empresa já construiu e ainda não organizou comercialmente.
O trabalho começa por dentro, em uma videochamada gravada, onde abrimos o processo como ele realmente é. Olhamos para quem contratou nos últimos 24 meses e, principalmente, para as propostas que foram perdidas. É ali que a realidade aparece sem maquiagem.
As propostas que não fecharam raramente obedecem a um padrão saudável de margem, recorrência ou aderência. Muitas vezes foram apenas tentativas.
Já os contratos que entraram, e, principalmente, os clientes que voltaram, mostram outra coisa. Nem todo fechamento foi bom. Em muitos casos, a empresa fechou no desespero, aceitou condição ruim e entrou em contrato que não deveria. Mas, quando você separa o que gerou resultado do que só ocupou a operação, o padrão aparece. E é esse padrão que começa a mostrar quem vale a pena perseguir.
Onde o Perfil de Cliente ideal realmente nasce
É desse cruzamento que o Perfil de Cliente Ideal começa a surgir. Não como persona bonita de marketing, mas como recorte real de mercado baseado em quem sustentou o negócio.
Se você perguntar naquele momento quantas empresas podem contratar nos próximos 6 a 12 meses, dificilmente alguém vai te dar mais de 10, 15 nomes com alguma segurança.
Essa lista não vem da cabeça com facilidade e não devemos confiar na memória.
Ela começa a aparecer quando você cruza propostas, faturamento e, principalmente, as conexões que já existem no LinkedIn. E esse é o nosso trabalho, conduzir nosso cliente a montar o seu Mapa de Guerra.
O que falta, na maioria dos casos, não é mercado.
É organização, e ação.
A construção do Mapa de Prospecção
Com esse alvo mais claro, a etapa seguinte deixa de ser intuitiva.
Além dos cerca de 100 a 150 cliente, potenciais clientes e parceiros, que já estavam dispersos entre memória, histórico e rede, passamos a estruturar uma base maior. Agregamos mais 200 a 300 empresas com aderência real ao serviço prestado, com base em setor, porte, criticidade operacional e perfil de contratação.
Definimos a região mais estratégica para atacar primeiro e começamos a mapear o território usando fontes concretas: associações, sindicatos, clubes empresariais, LinkedIn Sales Navigator, Google e tudo o que ajude a identificar empresas que possam efetivamente contratar.
Em poucos dias, o cenário muda de escala:
de uma percepção difusa para uma base de aproximadamente 300 empresas com potencial real de contratação.
O resultado não é uma lista para disparo aleatório.
É um mapa de guerra comercial.
Quem realmente decide
Depois de definir as empresas, o trabalho aprofunda.
Não basta saber quem pode contratar. É preciso mapear a cadeia de decisão. Quem influencia, quem especifica, quem participa tecnicamente e quem assina.
Donos, CEOs, Diretores, Gerentes, Suprimentos... isso depende de cada empresa e setor.
Nós não procuramos quem interage com anúncio. Procuramos quem tem a caneta na mão quando a contratação sai do discurso e vira contrato, também incluimos quem pode influenciar.
Nem sempre quem sente a dor é quem assina o contrato.
O papel real do LinkedIn
Nesse mesmo movimento, o LinkedIn deixa de ser uma vitrine decorativa.
O perfil passa a ser ajustado para cumprir uma função simples e decisiva: quando esse decisor for pesquisar quem está do outro lado (e ele vai, porque a prospecção começa a ser estruturada de forma ativa), ele precisa encontrar alguém que fale a língua dele.
Não um perfil genérico, não um currículo solto, mas um empresário, um engenheiro, um arquiteto cuja presença digital já responde, de forma coerente, ao tipo de problema que aquela empresa precisa resolver.
Em 72 horas, nada aconteceu do lado de fora.
Nenhum cliente novo entrou.
Nenhuma campanha foi feita.
Mas internamente, a empresa já não está mais no mesmo lugar.
Ela deixou de operar no escuro.
Em até 15 dias, esse mapa deixa de ser diagnóstico e entra em movimento.
As primeiras conexões estratégicas começam a ser feitas.
Clientes antigos começam a ser reativados.
Decisores começam a ser acessados com contexto.
O mapa de guerra não fica na planilha.
Ele entra em ação.
Com 30 dias, os primeiros sinais aparecem.
O perfil já foi ajustado.
Cerca de 100 empresas estão mapeadas e priorizadas.
As primeiras 50 conexões estratégicas foram ativadas.
E começam a surgir as primeiras conversas que não vieram por indicação.
Ainda não são contratos. Mas já não são aleatórias.
Com 60 dias, o cenário muda de forma mais clara.
A base cresce para cerca de 200 empresas mapeadas.
Mais de 250 conexões qualificadas acumuladas.
As primeiras janelas de contratação começam a ser identificadas.
A empresa deixa de apenas falar. Ela começa a acompanhar o mercado.
Com 90 dias, o que antes parecia desejo vira estrutura.
300 empresas mapeadas.
500+ conexões com decisores.
Pipeline organizado com janelas identificadas.
Os primeiros contratos já foram assinados.
O que realmente está sendo construído
Enquanto o marketing tradicional tenta chamar atenção de quem talvez nunca compre, aqui o trabalho é outro: posicionar você diante de empresas com alta probabilidade de contratar, com presença técnica coerente e prospecção ativa organizada.
Isso não elimina a indicação. Mas faz com que você deixe de depender dela.
Isso não é mágica. É engenharia de processo.
Isso não é marketing bonito. É arquitetura comercial.
5 perguntas e respostas frequentes
1. Por que o dono sempre adia o comercial para "depois da obra"?
Porque obra é concreto e comercial é abstrato. Enquanto tem equipe para gerir, prazo para cumprir e problema técnico para resolver, o dia parece produtivo. Estruturar o comercial não dá resultado na semana seguinte, e quando o dia já está cheio de urgência, o que não tem recompensa imediata fica para o próximo trimestre. Sempre o próximo.
2. Estar ocupado o dia inteiro não significa que a empresa está vendendo?
Não. Significa que está entregando. Orçamentos saindo, reuniões acontecendo e e-mails respondidos criam sensação de produtividade, mas não geram visibilidade do que vem pela frente. É possível fechar um trimestre com orgulho e sem nenhuma perspectiva de contrato novo. Ocupação e processo comercial são coisas diferentes.
3. Se a indicação sempre funcionou, por que ela deixaria de funcionar?
Porque indicação depende de relações que o dono não controla. Um gerente de compras muda, um contratante troca de fornecedor, um ciclo de mercado desacelera, e a fonte seca. Quando isso acontece, a empresa não tem base, não tem cadência, não tem alternativa. O problema não é a indicação. É depender só dela.
4. Por que quem já tentou marketing acha que processo comercial é a mesma coisa?
Porque a única referência que tem é negativa. Já contratou agência, já pagou anúncio, já investiu em conteúdo genérico e recebeu curtida em vez de contrato. Na cabeça dele, qualquer investimento comercial é dinheiro jogado fora. O problema é que a referência é de marketing genérico, não de processo estruturado. O que resolve o problema dele, ele nunca viu funcionando.
5. Qual é o custo real de adiar a estruturação comercial?
É o custo que não aparece no balanço. Aparece na margem que encolhe por aceitar obra fora de perfil, na equipe que fica ociosa entre projetos e no profissional bom demitido porque o caixa apertou no trimestre errado. A cada trimestre sem base estruturada e sem janelas mapeadas, esse custo se acumula. E como ninguém calcula, ninguém percebe até que já perdeu dois ou três trimestres que não voltam.
